segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ficou grávida? Não joga no Google.

Se você desconhece algum assunto, jogue no Google. A maior e mais usada ferramenta de busca da internet é ainda melhor do que a Barsa, aqueles livros gordos e vermelhos que traziam informações sobre quase tudo e custavam uma fortuna.

Além de o Google ser de graça, não há nada que ele não consiga localizar. A rede de hyperlinks que ele constrói faz com que você passe mais de hora lendo sobre assuntos que parecem fúteis como cores de esmalte ou crochê.

Quando descobri que estava grávida, entrei no site e coloquei no buscador: “sintomas gravidez” (eu queria saber se todo aquele enjôo era frescura ou era o feijão que estava crescendo aqui dentro).

O primeiro site que encontro é do E-familynet . Ok. O texto não é nada mal. Resolvi fuçar no restante do site (malditos hyperlinks). Olha, tem um fórum. Vamos ver o que as meninas andam falando. NÃO. NÃO e NÃO!!!

A grande maioria dos tópicos trazem mulheres loucas para engravidar e cheias de histórias horrorosas de aborto, sangramento, malformações, coceiras, doenças e desgraças. Eu fiquei absolutamente MALUCA lendo todos esses relatos. E quanto mais eu lia, mais eu queria saber sobre aquilo para não deixar que tudo acontecesse comigo.

Até fazer todos os exames, eu não dormi. Tinha medo de não ser nada além de gases ou de minha gestação ser fora do normal (não, não vou repetir todas as coisas horríveis que eu andei lendo). Só sosseguei quando entrei na sala de ultrassom e vi aquele feijãozinho, ainda sem formas, mas com um coraçãozinho que batia bem acelerado. Achei que não fosse chorar, mas é impossível saber que você tem dois corações e não se emocionar.

Não peço mais ajuda do Google. Como diz minha avó, a gente não precisa saber de tudo pra ter consciência de que a natureza é extremamente sábia e que o nosso corpo nos dirá quando há algo de errado. E eu não poderia estar mais Feliz e satisfeita!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E a barriga que não vem...


Não sei se é uma ansiedade só minha ou é algo compartilhado por todas as novas-mães do mundo. O fato é que eu não vejo a hora da minha barriga crescer e todo mundo notar que eu realmente tenho um bebê dentro de mim.

Eu não tive a brilhante ideia de medir o meu quadril logo que eu descobri que estava grávida. Mas com certeza ele se expandiu, uma vez que minhas calças jeans já ocupam o lugar de roupas “aposentadas” do meu guarda roupa.

Quem me olha, pensa que eu estou gordinha. Não mais gostosa. Gordinha. E embora eu já tenha ouvido um “Nossa! Mas só dois meses e meio e você já engordou desse tanto?”, a balança não acusa um grama a mais. Ou seja, a barriga linda de grávida não aparece de fato, todas as minhas roupas lindas não me servem mais e, por não saber ainda o tamanho que vou ficar, também não consigo comprar nada novo.

Mas sim. Existe compensação e algumas coisas ficaram melhores. Minha pele está linda, meu cabelo está menos oleoso e desde domingo meus hormônios não dão as caras por aqui. Estou sendo beeeem mais paparicada e as ondas de felicidade que percorrem meu corpo toda vez que eu penso que daqui um tempo terei um lindo bebezinho no meu colo faz com que todos os descompassos físicos valham a pena.

Acho que a ansiedade pela barriga é uma daquelas coisas de mãe. A gente nunca entende até ser uma!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Como lidar com a sensibilidade?

Eu sempre fui uma pessoa sentimental, mas nunca me senti tão vulnerável quanto esse final de semana. Embora eu não coloque uma gota de álcool na boca há mais de um mês, o sentimentalismo aflorou como se eu tivesse entornado uma garrafa de vodka. Dez vezes pior do que uma TPM daquelas. Fiquei completamente descontrolada.

Em um momento, estava explodindo de felicidade. Bastou algo completamente idiota para me tirar do prumo completamente. Fiquei irritada, chorei, briguei com o namorado, chorei, enjooei, quis sumir, dormi, passei mal, chorei, dormi, sonhei e acordei me sentindo ridícula pelo papelzinho que todos os meus hormônios me fizeram protagonizar. Como assim eu me deixei levar por algo tão insignificante?

Fomos convidados para um churrasco. E pronto. A onda sentimental voltou novamente. O que eu vou comer? O pior é que só o cheiro da carne me deixa com água na boca. Mas comer um pequeno pedaço me faz enjoar por um tempo considerável. Nesse caso, a gula não vale a penitência. Ai que raiva de mim, desse estado! Não quero dar nenhum tipo de trabalho para as outras pessoas. Não gosto de ser a fresca diferente! AAAAAHHHHHHHHHHHHH!

Sinceramente, ainda não estou conseguindo lidar com tudo isso. Demorei 25 anos para conseguir controlar meus instintos sentimentalistas! Como faço para lidar com todo esse turbilhão em menos de 1 mês?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tolerância Zero

Desde que descobri que estou grávida, ouvi dezenas de perguntas cretinas de pessoas cuja intimidade comigo é praticamente zero. Não bastasse isso, chegaram a contar histórias trágicas sobre aborto, anemias severas, ou crianças com problemas congênitos. O que é isso minha gente?

Para facilitar, resolvi listar as mais mais e colocar a resposta que eu gostaria de dar aos desconhecidos enxeridos.

1) - Estou grávida!!=D
- Mas como isso aconteceu?
- Seguinte. O serviço de cegonhas ligou em casa e fez uma oferta incrível: um bebê por apenas nove meses de retenção de líquidos e talvez um pouco de enjôo durante as 12 primeiras semanas. Achei imperdível e em apenas dois dias eles me enviaram uma pequena melancia. Eu apenas tive que encarar os caroços e voilá. A semente tá crescendo aqui dentro. ¬¬

2) - Estou grávida!!=D
- Mas o pai já sabe?
- Acho que não. Nem eu sei. Ainda sou virgem e não tenho namorado. Se você souber de alguém que esteja procurando uma grávida perdida, avisa?

3) - Estou grávida!!=D
- Mas você já tinha casado?
- Por que? O (seu) pau do seu namorado só funciona se tiver uma aliança de ouro no dedo?

4) - Estou grávida!!=D
- Mas e aí? Vai casar?
- Claro! Afinal, além de não ser uma mãe solteira devassa, eu não conseguiria dar entrada na maternidade sem a certidão de casamento.

5) - Estou grávida!!=D
- Mas, você tá feliz? (pergunta com aquela cara de sofrimento)
- De verdade, eu to radiante de tristeza. As pessoas não choram de felicidade? ¬¬


6) - To enjoando bastante com carne e chocolate.
- Nossa, toma cuidado. Eu conheci uma pessoa que enjoou com carne e em 2 semanas ela perdeu o bebê e quase morreu.
- E você ainda não largou de comer cocô?

sábado, 14 de novembro de 2009

Náuseas e busões



Tenho certeza de que nunca mais vou me deliciar com um pedaço suculento de picanha como fazia antes de ficar grávida. Isso porque eu descobri, a muito custo, que o feijãozinho não gosta de carne vermelha. E de melancia. E de manga. E de suco de maçã.

A lista só cresce a cada dia que passa e me alimentar tem sido um desafio de gigante! O médico me passou um cardápio com alimentos considerados saudáveis a uma grávida. Devo evitar comidas gordurosas, diminuir a quantidade de açúcar, não tomar café, coca-cola ou qualquer bebida que contenha cafeína. Não devo comer queijos amarelos, mas preciso caprichar na dose de cálcio. Na de ferro também. Ah! E não devo me esquecer de ingerir muitas vitaminas, afinal, o feijãozinho precisa comer bem para poder crescer forte e saudável.

No começo eu achei ruim. Sempre gostei de comer uma porcaria de vez em quando, um churros aqui, uma batata frita ali. Mas meu paladar mudou tanto que, de verdade, não me abalei muito com todos esses NÃO PODE!

Eu era do tipo de pessoa que pregava a soberania absoluta do topo da cadeia alimentar. Se qualquer coisa que estivesse cozida/frita/assada bobeasse, eu botava pra dentro sem dó ou piedade. Podia colocar o leitão inteiro na minha frente. Tadinho o cara&%! Eu vou é encher minha pança!

Mas agora, só a ideia do bife me dá náuseas. Já tentei comer. Não desce. Fica passando de uma bochecha a outra durante uns minutos enquanto o estômago se recusa a receber o tão ex-suculento alimento. Então, parei. Não insisto e tudo o que vou comer provo um pouco e espero ver se o cara (ou a mina) aqui dentro aprova, afinal, quem vai vomitar depois sou eu.

O pior de tudo é que minhas náuseas não surgem pela manhã. Elas chegam a noite, pra sacanear mesmo. Mãe pobre volta pra casa é de busão. E o chacoalhar do transporte multiplica a vontade de conversar com o Hugo em umas 10x. Portanto, a concentração é essencial!

Já tentei chupar limão, tomar água gelada com hortelã. Nada funciona. Dizem que tudo isso passa aos 3 meses. Como acabei de entrar no segundo, me restam mais 4 semanas de martírio chacoalhador e muita concentração.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O primeiro sutiã 46 a gente nunca esquece


Sei que principalmente os homens ficarão um pouco intimidados com o assunto desse texto. Mas o fato é que, mulheres grávidas experimentam uma sensação única. De um dia para o outro, os seios crescem e você se sente poderosa.

Claro que isso tem um preço. A região fica incrivelmente dolorida. Acho que a sensação é próxima a alguém dando diversas micro-beliscadas e depois apertando com bastante força. Para os homens terem noção, imaginem isso acontecendo o bico do peito de vocês. Ou então com o saco. Voilá!!

No meu caso, eu já tinha sido relativamente abençoada. Mas também não foi de graça. Quando eu era pequena, o que eu mais queria na vida eram peitos. Antes de dormir, minha principal conversa com Papai do Céu era sobre a quantidade desejada. Eu me imaginava como Pamela Anderson. Acho que eu enchi tanto o saco dele que ele atendeu às minhas preces. Mas ainda bem que ele foi coerente e me deu umas 4 vezes a menos. Pelo menos até eu ficar grávida.

Essa foi uma das primeiras mudanças físicas que eu percebi. Na verdade, eu e o namorado (porque quando é pra reparar no novo corte de cabelo, quem disse que tem essa atenção toda?). O fato é que eles aumentaram de um dia pro outro e eu precisava de um novo endereço para a mais nova fábrica de leite do pedaço.

Entrei na loja e pedi logo um 44. Mas resolvi pegar um 46, só pra garantir. E para a minha surpresa, o 46 serviu direitinho. A vendedora ainda aconselhou que eu pegasse um 48. Ah minha filha, seus seios vão crescer muito mais ainda!!!!, ela me disse com uma risadinha de quem sabe que os meus tão desejados e cultivados peitos ficarão murchos e caídos após a amamentação.

Não. Levei o 46 mesmo. E embora eu já estivesse me enxergando novamente como uma Pamela Anderson, coloquei na cabeça que meus seios não vão virar umas muxibas. Já vou rezar para o papai do céu (ele me ouviu uma vez, acho que me ouve de novo) e por via das dúvidas, vou fazer uns exercícios para que a musculatura fique firme e forte. Porque na saída da maternidade, o nr. 46 não vai dar nem pro cheiro. Aí eu conto como é usar um sutiã 52, ou 54. Quem sabe?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As duas linhas paralelas


Embora o meu peito estivesse dolorido e inchado, a princípio, não pensei que pudesse estar grávida. Porém, engordei de uma hora para outra e comecei a ter enjôos. Das duas uma: ou eu estava muito zuada, doente de verdade, ou eu estava grávida.
Embora meu inconsciente tivesse certeza absoluta de que eu já estava gerando um pequeno ser, dava desculpas para o meu mal estar. Devo estar com problema de tireóide, retendo líquidos e com uma puta gastrite!

O namorado, percebendo a aflição, sugeriu um teste simples de farmácia. No começo eu relutei dizendo que era IMPOSSÍVEL (mas era só porque eu tinha certeza do futuro positivo).

Depois de um almoço quase normal (isso porque o enjôo já estava na minha cola), passei na farmácia e resolvi fazer o teste. A caixa dizia que depois do básico xixi, o teste daria o resultado em 2 ou 3 minutos. No meu caso, as duas linhas paralelas que acusam o positivo surgiram em mágicos e sacanas 2 segundos.

De repente, o banheiro ficou quente e apertado. Por mais que lá no fundo eu já soubesse, minha cabeça ficou a mil. Afinal, um bebê não estava nos meus planos.

De verdade, eu temia a reação das outras pessoas, especialmente do namorado, peça chave desse triângulo amoroso que se iniciava. Mas ele ficou tão feliz, minha família ficou tão feliz, a família dele ficou tão feliz que eu fiquei bem mais aliviada (porque feliz eu já estava!!!!).

Mas o mais impressionante é como a ligação entre mãe e bebê mexeu comigo desde o primeiro instante. E por isso, decidi começar esse blog. Para relatar como essas duas linhas paralelas mudaram de vez a minha vida!