quarta-feira, 30 de julho de 2014

O nascimento da irmã mais velha

"Ah, tadinha. Vai perder o trono quando os dois meninos chegarem"

Assim que eu ouvi isso sendo dito para a minha pequena, olhei para ela e, com toda calma, disse:

- Ih filha. Explica que lá em casa só tem um banheiro e que ninguém vai perder privada nenhuma. Vai ficar congestionado, mas eu separo uma horinha pra você fazer seu xixi.

Ela deu risada, repetiu exatamente o que eu havia dito e a pessoa que soltou a pérola sem noção deu um sorriso sem graça. Não sei se ela entendeu o recado, mas eu não pude ficar quieta. 

Para mim, um dos maiores desafios dessa segunda gravidez têm sido preparar a Amelie para a chegada dos irmãos. Serão dois, de uma vez. O fato de serem meninos facilita um pouco as coisas -afinal, não vai ter ninguém pra disputar os laços, vestidos e batons com ela. Mas, até agora, ela sempre foi o centro das atenções e, por mais que a gente se esforce, ela vai perder a atenção exclusiva que vem recebendo nos últimos 4 anos. 

Até agora, ela tem sido bastante compreensiva quanto à chegada dos meninos. E eu tenho feito algumas coisas pra que esta transição seja o mais suave possível:
  • Todo dia reforço a independência dela e é impressionante o quanto ela se desprendeu de mim nesses últimos meses. Faz questão de ajudar nas tarefas de casa e arrumar as coisinhas dela. E ela tem se sentido muito importante com isso;
  • Deixei que ela assistisse a programas dedicados à chegada de bebês ao mundo. Daqueles que mostram o parto, o bebê recém-nascido, os primeiros cuidados. Não fiz para chocá-la, mas para que ela entenda todo o processo da chegada dos irmãos;
  • Ela também tem me acompanhado às consultas com o obstetra. Normalmente, ela faz perguntas para ele e segura minha mão enquanto ele examina a barriga. ♥
  • É ela que abre todos os presentes que os bebês ganham. No começo foi bem difícil explicar que eles estavam ganhando coisas porque não tinham nada. Agora, ela comemora com a mamãe a cada pacote de fralda que ganhamos e não faz questão de ter presentes também.
  • semana que vem vou arrumar a mala da maternidade (sim, ainda não fiz nada disso). E vou deixar que ela escolha as roupinhas que os irmãos usarão nos primeiros dias de vida. Acho que ela vai ficar feliz.
  • Anteontem ela fez o primeiro desenho dos irmãos. Ela, grande e com todos os detalhes (incluindo pupilas, cílios e zaz) e os irmãos somente como duas cabeças e corpinhos de palito (sem mãos ou pés). Mas já é alguma coisa!
  • Outra coisa é que ela resgatou uma boneca, a Julieta, e tem andado com a "filha" dela pra cima e pra baixo. Tem cuidado dela igual um bebê e eu tenho achado isso bem legal. Ela senta com a gente na hora das refeições, ganha cuidados e carinhos e participa das brincadeiras com a gente;
  • Para o nascimento dos meninos, estamos pensando em comprar um presente de mocinha para ela e dizer que foram os irmãos que mandaram. Acho que pode ser simpático.
Mas, é claro que existem algumas coisas que mostram que ela não está tão confortável assim com esse novo futuro que se desenha. Faz 3 semanas que ela não quer ficar sozinha. Que não vai a lugar algum sozinha, na verdade. Meu apartamento é um ovo e, mesmo eu conseguindo vê-la de qualquer lugar, tenho que acompanhá-la a todo momento. Não sei de onde surgiu esse medo todo. 

Outro dia ela rabiscou uma história em que haviam dois irmãos gêmeos. Rabiscou com força a carinha dos meninos. Não falamos nada. Faz parte não gostar também, não é? 

Enfim, só saberemos como será a reação dela quando os pequenos chegarem em casa! E tá faltando pouco!  

Minha mocinha linda!




quinta-feira, 24 de julho de 2014

Nota da redação: ERRAMOS!

Nunca fui boa com números. Na escola, eu fazia o que os professores chamavam de matemágica: conseguia chegar aos resultados corretos com contas malucas e erros nas operações básicas. A não ser quando o assunto é dinheiro (devo ter sido turca, dona de lojinha na 25 de março em outra encarnação), cálculo definitivamente não é meu forte.

Porque eu tô dizendo isso?? É que ontem descobri que minha gestação está mais avançada do que eu imaginava. Pensei que tinha acabado de iniciar a 31ª semana. Mas não, já estou na 32ª, ou seja, atingi a marca do 8º mês de gravidez (vivas, uhus, IéIé).

Você deve estar pensando: mas como é que uma semana pode fazer tanta diferença assim? Ah, colegas. Numa gestação, faz sim. Uma vez um médico me disse que um dia dentro da barriga são 2 dias longe da UTI. Então, a cada dia que passa é uma comemoração. E estar chegando perto da hora do parto é um motivo ainda mais gritante para que eu me sinta extremamente feliz!

Ontem foi dia de consulta pré-natal. E, embora estejamos otimistas, meu médico deixou bem claro que, a partir de agora, estamos lidando com a mãe natureza e ela pode decidir agir a qualquer momento. A única ajuda médica que ele pôde prover foi uma medicação que ajudará na aceleração do desenvolvimento  dos pulmões dos pequenos. O resto a gente garra na fé e espera que eles sejam preguiçosos!

Minha barriga está absolutamente gigantesca. Até meu médico suspira ao medir a altura uterina (sim, isso existe minha gente, e é, basicamente, a altura da barriga). Só como base de comparação: outro dia achei meu cartão de pré Natal da Amelie e, no dia do parto, minha AU estava em 33cm. Ontem, belos 41 cm explicam as dores nas costas, a falta de ar e a hérnia umbilical que ganhei de presente. Não é o máximo??

Achei que fosse ter engordado uns 4 kg nos últimos 20 dias, já que estou em casa enchendo a pança de bacon comida. Mas a balança tem sido muuuito minha amiga e, até o momento, somente 11kg a mais preenchem essa grávida roliça que vos escreve (#chorarecalque). Se for como no parto da Amelie, esse peso vai embora no dia em que os bebês vierem ao mundo e poderei sair da maternidade usando um dos meus vestidos favoritos. 

Por conta de todo esse prognóstico estou proibida de saracotear por aí: não posso ir ao mercado, feira, shopping, mercadinho ou  a Benedito Calixto comer acarajé. Andar, só em casa. Evitar ao máximo sair de carro e não pegar peso. Basicamente, terei de ficar sentada, comendo e delegando tarefas  (já que tem muita coisa ainda pra organizar). 

E sim: ainda não são nem 6 horas e eu já estou on fire. Ansiedade e insônia só servem para isso mesmo. ;)

terça-feira, 22 de julho de 2014

#31semanas e o primeiro alarme falso

Estou assim:

  • A minha barriga continua crescendo e está enormeJá aceitei o fato de que, no pós parto, ela ficará parecendo uma couve flor.
  • Não consigo apanhar nada que tenha caído no chão - a não ser que eu ajoelhe e tenha a ajuda de um guindaste para levantar;
  • Tenho chorado com comercial de pasta de dente;
  • Sair de casa é um desafio tremendo. Tudo dói, é difícil andar e ficar de pé. Se eu pratico a famosa teimosia e fico fora o dia todo, meu dia seguinte será deitada na cama;
  • Tenho me alimentado bem (com algumas porcarias de vez em quando, é bem verdade). Mas é fato que eu tenho comido bem menos doce e abusado das frutas. Ontem mesmo comi quase 1/4 de melancia (tá, foi um exagero).No começo da gestação a ameixa havia ganhado meu coração. Agora são as mexericas. Oh delícia!
  • Um desafio está sendo superado: aceitar ajuda do mundo.
  • O quarto das crianças está quase pronto. Maridão já pintou, hoje chega a cama nova. Ainda falta coisa pra burro, mas percebam que o otimismo tomou conta de mim;
  • Preciso de um corte de cabelo, manicure e pedicure urgente;
  •  Toda aquela história de que grávida não sente frio foi por água abaixo. Eu não consigo ficar sem meias no pé e um casaquinho para proteger as costas;
Além dessas coisinhas, sábado tivemos o primeiro alarme falso. Maridão estava pintando o quarto dos pequenos, Amelie estava com a avó e eu passei o dia bordando os bastidores que enfeitarão a porta do quarto da maternidade. Eu acordei meio zuada, com uma azia ferrada, dor de barriga, indisposta. 
A partir das 18h, eu comecei a sentir contrações um pouco mais fortes. Comecei a anotar para ver a frequência com que estavam acontecendo e pronto: elas estavam vindo a cada 10 minutos. 
Pratiquei um pouco de teimosia e só liguei pro meu médico às 21h30. Já estava toda dolorida e apavorada. Depois de uma conversa com meu obstetra e uma orientação que acabou não surtindo resultados, ele achou melhor que eu fosse pro Pronto Socorro. Eu fiquei GELADA. Fui o caminho todo rezando para que eu não estivesse dilatando, conversando com eles na tentativa de convencê-los a ficar mais um pouco dentro da barriga. 

Depois de uma madrugada e muitos exames, alarme falso constatado e liberação do médico. 

De lá pra cá, senti poucas contrações. Mas também não estou abusando. Ainda temos muitas semanas pela frente!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

#30SEMANAS

Chegamos à trigésima semana, ao contrário da previsão de muita gente sem noção neste mundo. (É incrível como sempre tem alguém pra me dizer que os meninos nascerão prematuros, que eu não vou aguentar uma gestação gemelar até o final e zaz trás.) Ainda falta muito (30 semanas é o equivalente a 7 meses e meio de gestação), mas a torcida é para fiquem aqui no quentinho até pelo menos a 37ª semana. #oremos

Eu finalmente tirei o pé do acelerador (até porque, fisicamente, é impossível fazer algumas coisas). E não é que está tudo andando? O quarto não está pronto ainda, acho que mais duas semanas já teremos um vislumbre de como as coisas vão ficar. \o/

Ando completamente avoada. Tenho deixado as coisas cair no chão com mais frequência do que gostaria e é uma merda, porque na maioria das vezes não consigo pegar. Por isso mesmo tenho tentado abstrair toda bagunça da minha casa. 

Tenho dias bons e dias esquisitos. Sábado passei o dia tendo contrações de treinamento, que são super desconfortáveis e geram uma pequena tensão. Tenho que ficar marcando o horário de cada uma para saber se elas estão entrando num ritmo cadenciado (e se isso acontecer, toca pro hospital porque pode ser que eu esteja entrando em trabalho de parto). 

As noites têm sido um caso a parte. Faz umas 2 semanas que comecei a ter refluxo noturno: realmente uma delícia. Então, pra ter uma noite de sono razoável, tenho que fazer minha última refeição do dia no máximo 18h - ou então nada de dormir. De ontem pra hoje tentei a sorte, jantei depois das 20h e não preguei o olho. 

Às vezes me bate uma melancolia doída e fico me achando uma mãe de merda: não consigo mais brincar com a Amelie do jeito que eu fazia. Dar banho nela tem sido bastante difícil e quase não conseguimos nos abraçar. Aí eu choro, choro, choro. A frustração não passa, mas pelo menos eu coloco pra fora essa angústia toda.

Mesmo com tudo isso acontecendo, não poderíamos estar mais felizes com a aproximação da chegada dos pequenos. 

E com vocês, a barrigona da semana (sim, essa sou eu, precisando de um dia e meio de sono e um cabeleireiro particular! hahahahaha)




quarta-feira, 2 de julho de 2014

Preparativos

Julho, que parecia estar tão longe, finalmente chegou. Agora, falta "pouco" para a chegada dos meus pequenos.Eu já estou fazendo Home Office já que, por recomendação médica, não posso mais dirigir e preciso evitar ao máximo o uso do transporte coletivo. Trabalhar de casa tem suas vantagens: Eu consigo deitar para esticar a coluna de tempos em tempos, tomar um banho entre um relatório e outro e - o principal - não preciso enfrentar 3 horas de trânsito insano todos os dias (Deus abençoe meu chefe). 

Minha barrigona está gigante. Minha irmã, que ficou mais ou menos 2 semanas sem me ver, quase caiu de costas ao me encontrar hoje. E ela logo queria que eu me sentasse: "pelamordedeus, zi. Que barriga é essa?".
Andar em público também é um desafio. Por onde passo, atraio olhares assustados, da galera que acha que posso expelir uma criança a qualquer movimento brusco. Sem contar a sensualidade, né minha gente? O passinho de uma gestante conquistaria qualquer pato do mundo!!

 E, neste estado, você deve estar pensando: "Ela já deve estar com tudo pronto!"
Não tem nada pronto, minha gente. Nada.

Meu apartamento é lindo, mas bem pequeno. Quando descobrimos que teríamos um bebê a mais (além do havíamos previsto), cogitei fazer um quarto de redes e pendurar todo mundo no teto. Meu marido não achou a ideia tão genial assim e eu parti para a praticidade. Encontrei uma loja incrível, que faz móveis sob medida, e encomendei uma treliche mara com escorregador, que só chega no começo de agosto.

Até lá, eu preciso desmontar um armário trambolhudo que ocupa metade do quarto que destinamos aos pequenos, vender a cama que a Amelie usava até então, comprar a tinta pra pintar o quarto, encomendar o novo armário, mandar fazer as cortinas, separar brinquedos para doação. Resumindo: preciso fazer TODO o quarto.

Ainda não marquei o chá de bebê. Preciso confessar que não me sinto muito confortável em organizar um encontro em que as pessoas são meio que "obrigadas" a trazer um presente. Porém, dessa vez, eu vou precisar de ajuda. São dois bebês. E a quantidade de fralda que precisarei estocar é inacreditável. Outro item da lista a fazer.

Como sou uma pessoa centralizadora que adora ajudar nesse tipo de afazer, eu estava adiando muito coisa na esperança de que eu me sentiria melhor conforme a evolução da gestação (o que aconteceu na gravidez da minha pequena mocinha Amelie). Mas nesta, o desconforto só fez aumentar e eu percebi que eu vou ter que dar o braço a torcer e engolir o orgulho  aceitar toda a ajuda do mundo para dar conta do recado. 

E vamo que vamo que ainda faltam 10 semanas!