quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Impotência

Eu gosto de futebol. Quando posso, vou assistir aos jogos no estádio e como os dedos quando meu time (São Paulo) enfrenta um jogo decisivo. Eu era mais escandalosa na torcida, mas aprendi a me conter para que as pessoas não deixassem de assistir às partidas comigo.
No entanto, sempre fui a favor de comemorações acaloradas, com gritos e fogos de artifício. Pelo menos até a última quarta-feira.

O Santos jogava contra o Vitória da Bahia pela Copa do Brasil. Mesmo perdendo de 2x1, o time paulista faturou o título e os rojões não demoraram a tomar os céus que rodeiam o condomínio onde moro. Coloquei a Amelie para dormir e me deitei. Quando estava quase pegando no sono, um santista meio atrasadinho (já era mais de meia noite quando isso aconteceu) resolveu soltar um super rojão.

Nem preciso dizer que a Amelie assustou. Ela acordou chorando (lê-se berrando MUITO). Ficou vermelha, engasgou e eu comecei a ficar desesperada. Nunca tinha visto ela chorar daquela maneira! O Danilo também ficou aflito e o tempinho que ela chorou nos pareceu eterno. Fez nosso coração ficar pequeno e sentimos o peso da impotência.

Não dormi o resto da noite, com medo de que a minha pequena pudesse ter outra coisa que não o medo pelo barulho de uma comemoração. A noite insone me fez pensar em muitas coisas. Como será que meu coração vai ficar quando ela cair, ralar o joelho e chorar de pela dor do machucado?

Como eu vou ficar ao vê-la chorar por um amor não correspondido?

Cada dia que passa eu percebo com mais clareza o tamanho do desafio e da responsabilidade que a Amelie representa em minha vida. Mas agora, eu só quero que ela fale logo. Pelo menos ela poderá me dizer o que a aflige (quando houver aflição) para que eu tente acalmar sua alma e apaziguar seu sofrimento momentâneo.E ainda corro o risco de não conseguir. Então, é bem provável que o peso da impotência me faça uma visita de vez em quando...

Um comentário:

  1. É, flor, essa é uma das grandes dores da maternidade. Por mais que a gente queira, nem sempre poderemos fazer tudo por eles, nem privá-los de sofrimentos ou coisas ruins, que eles terão de passar, e pelas quais nós já passamos. O que você pode fazer por ela? Amá-la, muito e incondicionalmente, e estar sempre pronta pra abraçá-la, quando isso se fizer necessário. bjo
    Paloma e Isa

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