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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Momento Deusa


Talvez hoje seja um bom dia para falar sobre o obscuro e maçante lado B da gravidez. Para começar, o meu humor fez questão de subir em uma montanha russa pela manhã. E não há um só momento em que eu consiga decidir se eu estou feliz/triste/melancólico-romântica/romântica/impaciente/preguiçosa e outras tantas adjetivações que no momento não me ocorrem. E essa situação não é rara!

Pois bem. Alguém tem que contar a verdade para a mulherada que sonha com a maternidade.

Todo mundo diz que a gravidez é o momento em que a mulher se transforma em deusa, quando ela atinge seu esplendor máximo. Ok, a gente até se sente poderosa em alguns momentos. Mas graças aos hormônios gravídicos, você vai se sentir muito mais sensível e carente. Multiplica uma TPM por 10 e espera o resultado. Pronto. Você acaba de descobrir os sentimentos de uma grávida.

No caso de você não ter sido abençoada por Papai do Céu com um corpo digno de uma modelo internacional (tipo eu), seu armário deverá ser trancafiado em, no máximo, 2 meses. Isso porque é uma tristeza você ver o seu vestido ou calça favoritos ficarem apertados enquanto sua barriga de grávida ainda não apareceu. E você ainda precisa ouvir dos outros que está gorda. Claro. Toda deusa deve ouvir isso lá no monte Olimpo.

Existem também as dores e tonturas. As costelas se deslocam para poder acolher o seu bebê. E isso dói pra burro. Sabe quando a gente bate o joelho na pontinha da mesa? Dói assim, só que por horas a fio. Tem também a dor em um lugar não muito público. Isso. Lá mesmo onde você está pensando. A sua bacia também está se deslocando para ajudar no momento em que o bebê decide que não quer mais viver na água, e sim, respirar ar puro. Dói e incomoda. Já disse que dói?

E se você nunca teve tonturas, prepare-se. Do nada, você ficará mole, sua audição vai sumindo e sua vista fica embaçada. É como um orgasmo sem a sensação gostosa. Sua cabeça pesa, seus membros pesam e você pensa: caí. Nessa hora, se segura em alguém, mesmo que seja um estranho, e peça ajuda. Nenhuma deusa pode ser orgulhosa em um momento de fraqueza!

Já ouvi dizer também que a probabilidade de se ter hemorróidas nos últimos meses de gravidez é grande. Tudo por causa do peso da barriga, que ficará imensa. Ah! E cuidado para não coçá-la durante o processo. É dessa coceirinha boa que nascem as famosas e temidas estrias.

Agora, coloque sua imaginação para funcionar. Que raios de Deusa é essa? Gorda, peituda, cheia de estrias, com hemorróida, com auto estima baixa, dores e tonturas? Acho que faltavam deusas lindas, gostosas e confiantes para servir de exemplo!!!! rs

Brincadeiras a parte, é bem provável que, inconscientemente, a gente saiba que a gravidez dá início a um longo período de mudanças e desconfortos. A gente sabe que é um investimento de risco a longo prazo, e só aposta nele porque também sabe que o retorno é repleto de sorrisos, abraços e demonstrações de amor espontâneas. Talvez venha daí o velho ditado: Ser mãe é padecer no paraíso.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um siri vivo!

Depois de umas semanas sem escrever, decidi retomar o blog! Durante esse período silencioso, tive alguns desentendimentos com o meu lado sentimental. Por mais que eu estivesse super bem, ele cismava em contradizer o meu lado racional e colocava um monte de sentimentos confusos e deprimentes em pauta. Uma merda, com o perdão da palavra.

Porém, depois de uma bela conversa com a psicóloga, posso dizer que estou totalmente de volta.

Estou com 18 semanas, ou seja, estou com 4 meses e meio de gestação. A tão desejada barriga já aparece e as pessoas começaram a me ceder lugar no metrô, ônibus ou filas variadas.

Mas acho que a maior transformação foi sentir o bebê mexer dentro da barriga. Sempre tentei imaginar como seria essa sensação. E, embora seja algo incrivelmente inexplicável, acho que seria como engolir um siri vivo. A maioria das mães que eu conheço me descreveu o momento como ter dor de barriga sem a sensação desagradável de um piriri calibre 22. Ou de ter gases. Eu preferi abolir a escatologia por um momento, porque já bastam todas as coisas que permeiam um lado obscuro da gravidez (tema que fica para outro post!rs).

No momento estou achando maravilhoso perceber que ele responde a estímulos externos, como a voz do pai. Toda vez que ele ouve a voz do Danilo, dá cambalhotas aqui dentro.
Minha irmã foi a única sortuda a conseguir sentir uma travessura intra uterina. Hoje ele (o bebe) está beeeem quietinho.

E para fechar, uma foto do ano novo, com o trio! Uma prova de que 1+1=3. E não adianta tentar me convencer do contrário!


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ficou grávida? Não joga no Google.

Se você desconhece algum assunto, jogue no Google. A maior e mais usada ferramenta de busca da internet é ainda melhor do que a Barsa, aqueles livros gordos e vermelhos que traziam informações sobre quase tudo e custavam uma fortuna.

Além de o Google ser de graça, não há nada que ele não consiga localizar. A rede de hyperlinks que ele constrói faz com que você passe mais de hora lendo sobre assuntos que parecem fúteis como cores de esmalte ou crochê.

Quando descobri que estava grávida, entrei no site e coloquei no buscador: “sintomas gravidez” (eu queria saber se todo aquele enjôo era frescura ou era o feijão que estava crescendo aqui dentro).

O primeiro site que encontro é do E-familynet . Ok. O texto não é nada mal. Resolvi fuçar no restante do site (malditos hyperlinks). Olha, tem um fórum. Vamos ver o que as meninas andam falando. NÃO. NÃO e NÃO!!!

A grande maioria dos tópicos trazem mulheres loucas para engravidar e cheias de histórias horrorosas de aborto, sangramento, malformações, coceiras, doenças e desgraças. Eu fiquei absolutamente MALUCA lendo todos esses relatos. E quanto mais eu lia, mais eu queria saber sobre aquilo para não deixar que tudo acontecesse comigo.

Até fazer todos os exames, eu não dormi. Tinha medo de não ser nada além de gases ou de minha gestação ser fora do normal (não, não vou repetir todas as coisas horríveis que eu andei lendo). Só sosseguei quando entrei na sala de ultrassom e vi aquele feijãozinho, ainda sem formas, mas com um coraçãozinho que batia bem acelerado. Achei que não fosse chorar, mas é impossível saber que você tem dois corações e não se emocionar.

Não peço mais ajuda do Google. Como diz minha avó, a gente não precisa saber de tudo pra ter consciência de que a natureza é extremamente sábia e que o nosso corpo nos dirá quando há algo de errado. E eu não poderia estar mais Feliz e satisfeita!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E a barriga que não vem...


Não sei se é uma ansiedade só minha ou é algo compartilhado por todas as novas-mães do mundo. O fato é que eu não vejo a hora da minha barriga crescer e todo mundo notar que eu realmente tenho um bebê dentro de mim.

Eu não tive a brilhante ideia de medir o meu quadril logo que eu descobri que estava grávida. Mas com certeza ele se expandiu, uma vez que minhas calças jeans já ocupam o lugar de roupas “aposentadas” do meu guarda roupa.

Quem me olha, pensa que eu estou gordinha. Não mais gostosa. Gordinha. E embora eu já tenha ouvido um “Nossa! Mas só dois meses e meio e você já engordou desse tanto?”, a balança não acusa um grama a mais. Ou seja, a barriga linda de grávida não aparece de fato, todas as minhas roupas lindas não me servem mais e, por não saber ainda o tamanho que vou ficar, também não consigo comprar nada novo.

Mas sim. Existe compensação e algumas coisas ficaram melhores. Minha pele está linda, meu cabelo está menos oleoso e desde domingo meus hormônios não dão as caras por aqui. Estou sendo beeeem mais paparicada e as ondas de felicidade que percorrem meu corpo toda vez que eu penso que daqui um tempo terei um lindo bebezinho no meu colo faz com que todos os descompassos físicos valham a pena.

Acho que a ansiedade pela barriga é uma daquelas coisas de mãe. A gente nunca entende até ser uma!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Como lidar com a sensibilidade?

Eu sempre fui uma pessoa sentimental, mas nunca me senti tão vulnerável quanto esse final de semana. Embora eu não coloque uma gota de álcool na boca há mais de um mês, o sentimentalismo aflorou como se eu tivesse entornado uma garrafa de vodka. Dez vezes pior do que uma TPM daquelas. Fiquei completamente descontrolada.

Em um momento, estava explodindo de felicidade. Bastou algo completamente idiota para me tirar do prumo completamente. Fiquei irritada, chorei, briguei com o namorado, chorei, enjooei, quis sumir, dormi, passei mal, chorei, dormi, sonhei e acordei me sentindo ridícula pelo papelzinho que todos os meus hormônios me fizeram protagonizar. Como assim eu me deixei levar por algo tão insignificante?

Fomos convidados para um churrasco. E pronto. A onda sentimental voltou novamente. O que eu vou comer? O pior é que só o cheiro da carne me deixa com água na boca. Mas comer um pequeno pedaço me faz enjoar por um tempo considerável. Nesse caso, a gula não vale a penitência. Ai que raiva de mim, desse estado! Não quero dar nenhum tipo de trabalho para as outras pessoas. Não gosto de ser a fresca diferente! AAAAAHHHHHHHHHHHHH!

Sinceramente, ainda não estou conseguindo lidar com tudo isso. Demorei 25 anos para conseguir controlar meus instintos sentimentalistas! Como faço para lidar com todo esse turbilhão em menos de 1 mês?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tolerância Zero

Desde que descobri que estou grávida, ouvi dezenas de perguntas cretinas de pessoas cuja intimidade comigo é praticamente zero. Não bastasse isso, chegaram a contar histórias trágicas sobre aborto, anemias severas, ou crianças com problemas congênitos. O que é isso minha gente?

Para facilitar, resolvi listar as mais mais e colocar a resposta que eu gostaria de dar aos desconhecidos enxeridos.

1) - Estou grávida!!=D
- Mas como isso aconteceu?
- Seguinte. O serviço de cegonhas ligou em casa e fez uma oferta incrível: um bebê por apenas nove meses de retenção de líquidos e talvez um pouco de enjôo durante as 12 primeiras semanas. Achei imperdível e em apenas dois dias eles me enviaram uma pequena melancia. Eu apenas tive que encarar os caroços e voilá. A semente tá crescendo aqui dentro. ¬¬

2) - Estou grávida!!=D
- Mas o pai já sabe?
- Acho que não. Nem eu sei. Ainda sou virgem e não tenho namorado. Se você souber de alguém que esteja procurando uma grávida perdida, avisa?

3) - Estou grávida!!=D
- Mas você já tinha casado?
- Por que? O (seu) pau do seu namorado só funciona se tiver uma aliança de ouro no dedo?

4) - Estou grávida!!=D
- Mas e aí? Vai casar?
- Claro! Afinal, além de não ser uma mãe solteira devassa, eu não conseguiria dar entrada na maternidade sem a certidão de casamento.

5) - Estou grávida!!=D
- Mas, você tá feliz? (pergunta com aquela cara de sofrimento)
- De verdade, eu to radiante de tristeza. As pessoas não choram de felicidade? ¬¬


6) - To enjoando bastante com carne e chocolate.
- Nossa, toma cuidado. Eu conheci uma pessoa que enjoou com carne e em 2 semanas ela perdeu o bebê e quase morreu.
- E você ainda não largou de comer cocô?

sábado, 14 de novembro de 2009

Náuseas e busões



Tenho certeza de que nunca mais vou me deliciar com um pedaço suculento de picanha como fazia antes de ficar grávida. Isso porque eu descobri, a muito custo, que o feijãozinho não gosta de carne vermelha. E de melancia. E de manga. E de suco de maçã.

A lista só cresce a cada dia que passa e me alimentar tem sido um desafio de gigante! O médico me passou um cardápio com alimentos considerados saudáveis a uma grávida. Devo evitar comidas gordurosas, diminuir a quantidade de açúcar, não tomar café, coca-cola ou qualquer bebida que contenha cafeína. Não devo comer queijos amarelos, mas preciso caprichar na dose de cálcio. Na de ferro também. Ah! E não devo me esquecer de ingerir muitas vitaminas, afinal, o feijãozinho precisa comer bem para poder crescer forte e saudável.

No começo eu achei ruim. Sempre gostei de comer uma porcaria de vez em quando, um churros aqui, uma batata frita ali. Mas meu paladar mudou tanto que, de verdade, não me abalei muito com todos esses NÃO PODE!

Eu era do tipo de pessoa que pregava a soberania absoluta do topo da cadeia alimentar. Se qualquer coisa que estivesse cozida/frita/assada bobeasse, eu botava pra dentro sem dó ou piedade. Podia colocar o leitão inteiro na minha frente. Tadinho o cara&%! Eu vou é encher minha pança!

Mas agora, só a ideia do bife me dá náuseas. Já tentei comer. Não desce. Fica passando de uma bochecha a outra durante uns minutos enquanto o estômago se recusa a receber o tão ex-suculento alimento. Então, parei. Não insisto e tudo o que vou comer provo um pouco e espero ver se o cara (ou a mina) aqui dentro aprova, afinal, quem vai vomitar depois sou eu.

O pior de tudo é que minhas náuseas não surgem pela manhã. Elas chegam a noite, pra sacanear mesmo. Mãe pobre volta pra casa é de busão. E o chacoalhar do transporte multiplica a vontade de conversar com o Hugo em umas 10x. Portanto, a concentração é essencial!

Já tentei chupar limão, tomar água gelada com hortelã. Nada funciona. Dizem que tudo isso passa aos 3 meses. Como acabei de entrar no segundo, me restam mais 4 semanas de martírio chacoalhador e muita concentração.